O aumento das temperaturas causado pelas mudanças climáticas gera impacto no meio ambiente e no dia a dia das pessoas. Já podemos sentir seus efeitos através da diminuição das faixas de terra no planeta e até mesmo na necessidade de intervenções de engenharia para proteger cidades costeiras de ficarem submersas. O calor também pode influenciar comportamentos humanos, incluindo aqueles relacionados ao uso de álcool e outras drogas.
O assunto foi foco de discussão de um artigo científico americano publicado na revista Communications Medicine, que estudou dados de internações hospitalares por intoxicação por drogas e álcool de 1995 à 2014, no estado de Nova York (NY), e sua relação com os dias quentes. Esse estudo teve o objetivo de avaliar como a temperatura diária estava associada às passagens hospitalares por distúrbios relacionados ao álcool ou a outras substâncias e avaliar também sua relação com vulnerabilidades sociais. O artigo levantou 717.798 casos de internação relacionados ao uso de álcool e 794.305 por transtornos relacionados ao uso de outras substâncias, como cannabis, opióides, cocaína e sedativos.
O estudo mostrou que o número de internações hospitalares aumentou ao longo dos anos, tanto para mulheres como para homens, tanto dentro da cidade de NY como fora dela. Esse aumento foi especialmente influenciado por casos envolvendo opióides e cannabis. A faixa etária que mais foi acometida foi de 25 a 44 anos e o sexo mais acometido de maneira geral foi o masculino. E em comparação, do maior número de internações. Além disso, houve mais casos fora da capital do que dentro da cidade de NY.
Em relação à temperatura, o artigo identificou uma associação positiva entre os dias mais quentes e a elevação do número de internações pelo consumo de álcool. Para outras substâncias, também foi observada uma associação positiva, só que desta vez, pelo aumento das temperaturas mínimas diárias. Destrinchando melhor as substâncias, a cannabis, opióides e cocaína, seguiram um padrão muito similar do aumento do consumo, com maior número de internações em dias menos frios. Já no caso dos sedativos, não foi encontrada associação com a temperatura.
O artigo discutiu que o aumento do consumo de drogas pelo aumento das temperaturas ocorrer por motivos psicológicos e comportamentais. Destacou que temperaturas mais elevadas podem influenciar as pessoas a ficarem mais tempo consumindo ao ar livre, como também a desidratarem e dirigirem sob efeito de substâncias. Além disso, a alteração da temperatura pode influenciar o número de procuras por atendimento hospitalares pelo senso de urgência.
Como vimos a temperatura não só interfere no meio ambiente como também se relaciona aos comportamentos humanos, o que inclui, o consumo de drogas e álcool. Em um cenário de aquecimento global, vale refletir sobre como essas mudanças podem impactar tanto nossas vidas individuais quanto a saúde pública de forma mais ampla.
Referência:
PARKS, Robbie M. et al. The association between temperature and alcohol- and substance-related disorder hospital visits in New York State. Communications Medicine, v. 3, n. 1, 2023.

