Padrões de uso de substâncias por adolescentes e o risco subsequente de transtorno pelo uso de substâncias, transtornos mentais & comportamentais e de comportamento suicida.

Um estudo recente, publicado em julho de 2025 na The Lancet Public Health, acompanhou mais de 68 mil adolescentes ao longo de oito anos para compreender os distintos padrões de uso de substância entre adolescentes e subsequente risco de transtornos mentais e de comportamento suicida.

Foram identificados quatro perfis distintos de uso de substâncias entre jovens de 15 a 19 anos: consumo apenas de álcool (48,8%), beber pesado frequente (“binge drinking”) (23,3%), uso experimental de substâncias (16,3%), uso precoce e múltiplo (11,6%). Os resultados mostraram que esses padrões não foram apenas comportamentos momentâneos ou isolados: eles predizem maiores riscos de hospitalizações por álcool ou outras drogas, transtornos de humor como depressão e ansiedade, transtornos alimentares e comportamentos suicidas ao longo dos anos subsequentes.

Os jovens do grupo com uso múltiplo e precoce (antes dos 13 anos) foram os mais vulneráveis, exibindo riscos até dez vezes maiores de hospitalizações relacionadas ao uso de drogas. Esse grupo possuía histórico de mais vulnerabilidades sociais, como experiências adversas na infância, dificuldades financeiras na família e saúde mental fragilizada desde o início do acompanhamento. O estudo discute a necessidade deste grupo ser prioritário nas políticas públicas de prevenção, combinando ações familiares, escolares e comunitárias, além do controle de publicidade.

Um achado que chamou a atenção dos pesquisadores foi que adolescentes que praticavam apenas binge drinking — apesar do risco neurotóxico associado ao álcool e de transição para padrões mais nocivo — tiveram menor probabilidade de desenvolver transtornos mentais quando comparados ao grupo que consumia apenas álcool ocasionalmente. Os autores sugerem que, em contextos como o dinamarquês, onde beber é uma prática altamente social, o padrão pode refletir inserção social e possível suporte de pares — fatores protetores que podem balancear alguns riscos.

A pesquisa destaca um ponto central: compreender padrões de uso ainda na adolescência pode permitir intervenções mais precisas e eficazes, capazes de reduzir hospitalizações, sofrimento psíquico e comportamentos de risco na vida adulta.

 

Para acessar o artigo na íntegra:


Hansen, Elisabeth R et al. “Adolescent substance use patterns and subsequent risk of mental and behavioural disorders, substance use, and suicidal behaviour: a cohort study. The Lancet Public Health, Volume 10, Issue 7, e578 – e587.  DOI: 10.1016/S2468-2667(25)00115-X

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