Por Miguel Henrique S Santos
Uma pesquisa, conduzida por Ijeoma Opara e colegas da Montclair State University (EUA), analisou como o apoio familiar pode fortalecer meninas adolescentes em contextos de vulnerabilidade social, ajudando-as a evitar o uso de álcool e outras drogas.
Realizado por meio de oito grupos focais com 57 meninas negras e latinas, entre 11 e 17 anos, o estudo investigou quais fatores de proteção essas adolescentes reconhecem como mais importantes. Mais do que focar apenas nos riscos, a pesquisa deu espaço para que elas próprias descrevessem as estratégias e apoios que fortalecem suas escolhas.
As participantes relataram viver em bairros onde o contato com drogas é comum. Muitas já presenciaram o uso de substâncias ilícitas em locais públicos, próximos a casa ou a instituições como escolas e igrejas. Apesar desse cenário, as meninas mostraram que não são definidas pelo ambiente: elas desenvolvem consciência crítica e constroem estratégias para se manterem afastadas do consumo, recorrendo a fontes de apoio – entre elas, a família, mas também a escola, amigos e projetos comunitários.
A comunicação aberta com familiares surgiu como um dos elementos mais valorizados. Conversas sobre riscos, escolhas e planos para o futuro, muitas vezes conduzidas por mães ou outros cuidadores, ajudam a reforçar valores e metas. Essas trocas não substituem outras formas de prevenção, mas funcionam como um espaço de acolhimento e orientação, onde as adolescentes podem refletir sobre influências externas e planejar caminhos mais seguros.
Outro ponto ressaltado pelas participantes foi a importância de referências positivas no convívio diário. Adultos que demonstram cuidado, evitam comportamentos de risco e incentivam o estudo e relações saudáveis transmitem mensagens poderosas sobre possibilidades de vida. O exemplo familiar, aliado a oportunidades externas, amplia as possibilidades de escolhas das adolescentes e reforça sua confiança.
O estudo também evidenciou que, para essas meninas, recusar drogas é uma forma de resistência contra estereótipos e expectativas negativas impostas à sua realidade social e racial. Manter-se firme diante das pressões externas é um ato de afirmação pessoal e coletiva, que reforça o orgulho de quem são e de onde vêm.
A pesquisa de Opara mostra que a prevenção ao uso de drogas é mais eficaz quando reconhece e potencializa redes de apoio já existentes. A família, junto com a comunidade e instituições, pode atuar como uma aliada estratégica, oferecendo diálogo, bons exemplos e incentivo. Mas o fortalecimento de meninas negras e latinas também depende de serem ouvidas, respeitadas e incluídas como protagonistas nas ações que buscam garantir seu bem-estar e futuro.
Para acessar o estudo completo: Opara, Ijeoma, et al. “‘It All Starts With the Parents’: A Qualitative Study on Protective Factors for Drug-Use Prevention Among Black and Hispanic Girls”. Affilia, vol. 34, nº 2, maio de 2019, p. 199–218. DOI: 10.1177/0886109918822543.

