Por Maxsuel Oliveira de Souza
Um estudo publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs em 2024, investigou como o monitoramento dos pais ajuda a reduzir o uso/consumo de álcool e outras drogas entre adolescentes e como esse processo ocorre na prática.
A pesquisa entrevistou 4.503 jovens de 11 a 15 anos, nos Estados Unidos, que responderam a um questionário sobre o quanto eram “supervisionados” pelos pais, se já haviam usado substâncias e se deixaram de usar em alguma situação por causa dessa supervisão.
Os pesquisadores testaram duas explicações possíveis. A primeira era a ideia mais tradicional: pais que monitoram mais descobrem o uso com maior facilidade, assim como, punem mais, reduzindo esse comportamento. A segunda hipótese era diferente: o monitoramento funcionaria como uma prevenção direta, fazendo com que o adolescente nem chegasse a usar substâncias por medo de ser descoberto.
Os resultados mostraram que a primeira explicação não se sustentou. O monitoramento não aumentou a chance de os pais perceberem quando o adolescente usava as substâncias. Na prática, o efeito observado parece não ocorrer por meio do aumento da punição.
Por outro lado, houve forte evidência para a segunda hipótese. Muitos adolescentes relataram que deixaram de usar substâncias em situações reais porque tinham medo de que os pais descobrissem ou interferissem. Os pesquisadores estimaram que, sem esse efeito, o consumo de substâncias psicoativas seria maior.
Outro ponto importante foi a idade: adolescentes mais velhos relataram com mais frequência que o monitoramento dos pais evitou oportunidades de uso, sugerindo que esse efeito “prevenção direta” pode variar ao longo do desenvolvimento.
O estudo também apresentou algumas limitações, como o delineamento observacional, a utilização de dados provenientes exclusivamente do autorrelato dos adolescentes, o perfil da amostra caracterizado por baixo consumo de substâncias e o período pandêmico da COVID-19, que pode ter influenciado os resultados do monitoramento.
No geral, a pesquisa trouxe uma mudança importante de perspectiva: o monitoramento parental parece funcionar mais como um “freio psicológico” diante da sensação de “estar sendo observado” em vez de estratégias baseadas em punição. Isso tem implicações diretas para prevenção, indicando que fortalecer a percepção de supervisão pode ser mais eficaz do que focar apenas em regras e punições.
REFERÊNCIA:
PELHAM, W. E. et al. How Does Parental Monitoring Reduce Adolescent Substance Use? Preliminary Tests of Two Potential Mechanisms. Journal of studies on alcohol and drugs, v. 85, n. 3, p. 389-394, 2024.

