Por Juliana Plens
O consumo de álcool é um dos principais fatores de risco para morbimortalidade. Relaciona-se ao aumento do risco de desenvolver sete tipos de cânceres, incluindo o de mama, hepatotoxicidade, transtornos psiquiátricos e diversas formas de traumas. Características como sexo, idade, cor da pele, estado civil e nível de escolaridade estão associadas a diferentes padrões de consumo de álcool.
Não existe uma quantidade mínima de ingestão de álcool considerada segura para consumo humano. Portanto, a análise de todos os padrões de consumo de álcool numa população é importante para se abordar adequadamente as políticas públicas acerca do uso dessa substância. Avaliar o consumo de álcool nas regiões brasileiras é outro ponto importante, pois diferenças culturais e econômicas interferem no seu consumo.
Os resultados mostraram que a maioria dos adultos brasileiros era composta de não bebedores (73,5%) e, entre os bebedores, 14,8% eram bebedores leves. Dentre os bebedores pesados, 82,6% eram homens. Participantes brancos beberam mais do que os participantes não brancos, exceto mulheres negras, que tiveram 38% mais chances de serem bebedoras moderadas do que mulheres brancas. Os não casados eram mais propensos a beber, enquanto mulheres com mais de 55 anos e homens com mais de 65 anos eram menos propensos a beber. Comparados aos participantes com nenhum estudo ou com ensino fundamental incompleto, tanto homens quanto mulheres com alguma escolaridade eram mais propensos a serem bebedores leves e moderados. As maiores quantidades médias de álcool consumidas entre os homens foram encontradas em Sergipe (12,0 g/dia) e Mato Grosso (10,4 g/dia) e, entre as mulheres, em Mato Grosso do Sul (3,5 g/dia) e Bahia (3,2 g/dia).
Esses achados destacam a importância de políticas públicas que visem a implementação de estratégias para reduzir o consumo de álcool em toda a população brasileira, especialmente entre os homens.
Fonte: https://doi.org/10.1038/s41598-022-12127-2

