Por Valdemir Ferreira Júnior
Levando em consideração a escassez de revisões sistemáticas a respeito de comportamentos agressivos gerais, pesquisadores da Universidade Columbia (EUA) e da Universidade Federal de São Paulo conduziram uma revisão sistemática avaliando a literatura mais recente sobre os efeitos de programas de prevenção escolar na agressividade, entre crianças de 6 a 11 anos. Foram consultados em três bases de dados (PubMed, Embase e Scopus) artigos publicados entre 2010 e 2019.
A pesquisa preliminar gerou 255 resultados, 15 contemplaram totalmente os critérios de inclusão do estudo. Dos 15 estudos, 14 reportavam efeito positivo nas taxas de agressão por meio de melhorias nas competências socioemocionais dos estudantes. Um estudo reportou tanto efeito iatrogênico (negativo) como positivo. Apenas um estudo indicou não ter encontrado nenhum efeito. Análises de moderação e mediação sugeriram que os programas de prevenção podem ser particularmente efetivos entre alunos com autorregulação emocional relativamente baixa e/ou altos níveis de problemas de comportamento já no início do estudo, antes mesmo de receber o programa preventivo. Os resultados encontrados somam à crescente evidência empírica a respeito do impacto positivo dos programas de prevenção baseados na escola que visam as competências sociais e emocionais na redução do comportamento agressivo em crianças. De acordo com os autores, as intervenções de saúde pública devem promover esses programas baseados em evidências, a fim de reduzir os danos causados por comportamentos agressivos na infância.

