Ambientes mais seguros, adolescentes mais saudáveis: o papel da prevenção ambiental no consumo de álcool entre jovens

Por Matheus De Carlos Oliveira

         Uma revisão sistemática conduzida pelo grupo PREVINA/UNIFESP analisou intervenções comunitárias de prevenção ambiental voltadas ao consumo de álcool entre adolescentes. O objetivo foi compreender as características, modalidades e resultados dessas intervenções, a fim de subsidiar políticas públicas e ações comunitárias que promovam ambientes mais seguros e saudáveis para os jovens. No campo da ciência da prevenção, o conceito de prevenção ambiental refere-se a políticas e ações voltadas a minimizar estímulos e oportunidades que favorecem comportamentos prejudiciais à saúde.

        Os achados mostram que 69% dos estudos incluídos e analisados apresentaram efetividade significativa na prevenção do consumo de álcool entre adolescentes, quando comparados aos grupos controle. Dentre os tipos de intervenção ambiental — física, econômica e regulatória — as ações de natureza regulatória foram as mais frequentemente implementadas. Essas intervenções envolveram, sobretudo, o fortalecimento e a aplicação de leis existentes, com destaque para medidas de Fiscalização do Acesso de Menores e Controle de Vendas. Um exemplo recorrente foi a realização de inspeções para garantir o cumprimento das normas de comercialização de bebidas alcoólicas em bares, mercados e restaurantes. As estratégias de monitoramento variaram entre os estudos: algumas iniciativas contaram com a participação de órgãos de segurança pública, enquanto outras mobilizaram a própria comunidade, seja apoiando ações fiscalizatórias, seja conduzindo investigações independentes.

       Todos os estudos analisados incorporaram intervenções ambientais aliadas a estratégias integradas de mobilização comunitária, muitas vezes acompanhadas de campanhas de mídia. A mobilização comunitária emergiu como um componente central, sendo suas ações típicas envolveram a articulação com formuladores de políticas públicas, lideranças locais, pais, comerciantes de bebidas alcoólicas e adolescentes, ampliando o engajamento social e político das iniciativas.

      Os resultados também reforçam o potencial das intervenções multicomponentes, especialmente aquelas que combinam diferentes estratégias regulatórias. As estratégias avaliadas abrangeram desde restrições à venda de álcool e verificação de idade até regulamentação da publicidade, policiamento direcionado, licenciamento condicionado e aplicação de penalidades. Algumas iniciativas também integraram abordagens voltadas às normas familiares e práticas parentais, ampliando o alcance e a eficácia das medidas ambientais.

       Nesse sentido, intervenções ambientais que se articulam a outros níveis de prevenção, universal, seletiva ou indicada, configuram abordagens multicomponentes com maior potencial de eficácia e sustentabilidade quando comparadas a intervenções centradas exclusivamente em fatores individuais.

 

Fonte: De Carlos Oliveira, M., Mendes-Sousa, M., Soares-Santos, L. E., Valente, J. Y., Caetano, S. C., & Sanchez, Z. M. (2025). Community-Based Environmental Interventions to Prevent Alcohol Use in Adolescents: A Systematic Review. Drug and alcohol review, 44(7), 2041–2056. https://doi.org/10.1111/dar.70038

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